** This workshop will only have French and Portuguese documents , if you want to participate you can use this opportunity to improve these languages! **
A França Amazônica, América do Sul disfarçada de Europa. Em Caiena, capital da Guiana Francesa, único departamento ultramarinho Francês (DOM) que não é uma ilha, os continentes se encontram, mas não se tocam. Lá os índios dirigem seu jetski, a burguesia é composta pelos crioulos - descendentes dos escravos e uma grande imigração asiáticos cultivam o solo árido e argiloso, acrescenta-se ainda outros tantos imigrantes que se transformam em garimpeiros de minas de ouro à procura do Eldorado! Desde o século XVI a ocupação desse território que vem a ser a Guiana Francesa não foi resolvida, falta savoir faire para domesticar a natureza selvagem e para acolher os diversos homens que a habitam, sejam eles Wayãpi, Teko, Emerillon, Wayana, Bushinenge ou franceses metropolitanos... Os imigrantes antigos, que já se consideram guianenses, compartilham o território com novos imigrantes, principalmente brasileiros e surinamenses, mas também asiáticos e africanos.
Em números absolutos, a população é pequena de apenas 230.000 pesoas, mais se espera um grande aumento demográfico, especialmente nas cidades nas margens dos rios, com taxas de cerca de 8%, altíssimas se comparáveis aos atuais 1% nas metrópoles do sudeste Brasil. É previsto assim, também por outros fatores, que a população poderá dobrar até 2025.
A mancha urbana se concentra no litoral, cerca de 90% da população se encontra em 10% do território desse departamento francês, o restante é coberto pela floresta, mangues, savanas, o que dificulta a entrada para o interior, onde foi implantado o Parque Amazônico da Guiana, que ocupa quase a metade do seu território. Além da ocupação litorânea, outras importantes cidades estão nas margens dos rios que marcam as fronteiras da Guiana: no limite oeste o rio Maroni faz a divisa com o Suriname e ali estão Saint Laurent e Maripasoula; à leste, na divisa com o Brasil estão Saint Georges e Camopi ao longo do rio Oiapoque.
Caiena se situa no litoral e possui uma população é de 60 000 habitantes com crescimento demográfico menos expressivo, de 2,8%. Essa compõe um chamado « colar de pérolas » formado pelas cidades e vilas ao longo da estrada D5. A presença de água, terrenos inundáveis, morros, mangue, florestas nativas, ou seja, terrenos impróprios para ocupação faz com que a cidade seja espalhada, ocupando grande área. O plano diretor para as cidades do litoral descreve que Caiena possui setores para densificação e requalificação, setores de expansão urbana e setores de habitação espontânea.
A respeito da economia, a Guiana Francesa é muito dependente das subvenções pagas pelo Estado Francês ou capital externo, incluindo uma grande "bolsa família" para os índios paga em euros, a produção local é pequena e existem poucas trocas comerciais com os países limítrofes, ao menos formais. Essas relações estão em vias de mudar, ao menos com seu grande vizinho sul-americano, é o que se espera com a inauguração da ponte que acaba de ser construída entre o Amapá no Brasil e a Guiana, sobre o rio Oiapoque.
O Estabelecimento Público de Planejamento da Guiana Francesa (EPAG) juntamente com a associação dos Municípios do litoral central (3CL) se questionam sobre a expansão urbana de Caiena e muitas operações urbanas de habitação social estão sendo construídas atualmente. Para atender a demanda prevista para habitação, foi escolhido e está sendo estudada uma grande gleba de 3.600 Ha, localizada ao sul da aglomeração, na intersecção de duas rodovias nacionais - RN1 e RN2 - no entorno do aeroporto: o Galion.
Os Ateliers de Cergy foram convidados à imaginar para essa localidade um bairro diferente, em harmonia com a natureza, que será a vitrine da Guiana em 2030. Algumas questões a esse respeito já começam a ser esboçadas....
A Guiana, que é a França mesmo que esteja fisicamente separada da metrópole, segue as mesmas leis francesas, distantes e diferentes e por isso não deveriam ser aplicadas com o mesmo rigor. Poderia então essa lei ser mais parecida com as em vigor no Brasil, se inspirando na experiência do seu vizinho mais próximo, e assim desenvolver uma economia regional? Como prover habitação para as 200 mil pessoas esperadas no território guianense? Como a cidade pode promover uma integração entre as culturas? Para atender os objetivos esperados, quais atividades e equipamentos devem ser instalados? De que forma pode-se inserir uma trama urbana nesse meio ambiente, ainda virgem, ocupado por florestas e porções alagadiças? A que preço pode-se construir nessas condições e quais são os habitantes esperados para os quais se devem construir?
Esse campo de experiências está lançado, está aberto para aproximar a Amazônia, o Brasil, Suriname, Guianas, Caribe, Haiti, Venezuela... Ele pode gerar curiosos reflexos da metrópole, a França.

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